quinta-feira, 10 de agosto de 2017

BIOGRAFIAS FADISTAS





JÚLIO PERES

Júlio Peres nasceu em Alcântara em 1909. Órfão de mãe, viveu a sua infância junto do avô e da irmã. Em criança, revela todo o seu potencial talento, e com apenas 11 anos começa a cantar. Aos 15 anos, Júlio Peres toma parte em serenatas em Lisboa, profissionalizando-se aos 18 anos quando começa a actuar nas casas de fado.
A par da sua actividade artística, Júlio Peres foi também gerente do “Café Luso”.
No livro “Histórias do Fado” escreve-se: “Entre os seus companheiros habituais contavam-se Gabino Ferreira, Frutuoso França, José Coelho, Júlio Vieitas e Manuel Calixto, com quem participou em muitas cegadas”.
Dotado de uma excelente voz, Júlio Peres foi também um exímio dançarino, facto que o levou a ganhar vários prémios.
Do seu repertório destaque para os temas “Velho Tinteiro”, “Como a Vida Passa” e “Ó Minha Mãe Minha Amada”.
"Actuou na Festa de Inauguração da Cervejaria Monumental, no dia 19 de Julho de 1945, conjuntamente com Isabel de Oliveira, Fernanda Baptista, Moisés Campelos, Berta Cardoso, a cantadeira cigana Maria Helena Maia e Ivete Pessoa (que se estreou com êxito)" (cf. Guitarra de Portugal de 22 Julho 1945) . Faleceu em 1995.

Fonte: Museu do Fado - Última actualização: Julho de 2008


AUTORES DO FADO










sexta-feira, 4 de agosto de 2017

BIOGRAFIAS FADISTAS




 JOSÉ NUNES

José Nunes Alves da Costa, José Nunes, nasce no Porto, em Paranhos, a 28 de Dezembro de 1916. Cedo perde o pai, oficial do exército e regente da banda do extinto Regimento de Infantaria 18. Aos 5 anos, José Nunes começa a aprender a dedilhar na guitarra o Fado Menor e aos 8 anos vem para Lisboa, ingressando o Instituto dos Pupilos do Exército, onde permanece até aos 16, e conclui o curso de Electrotecnia, ao mesmo tempo que, por iniciativa própria, aprende a tocar guitarra. Frequenta então uma casa de lotarias e taberna que ficava na Rua dos Cavaleiros, pertencente a Costa Delgado (antigo agente da Polícia de Investigação Criminal), que tinha uma guitarra e uma viola e um compartimento próprio para receber a "malta" amante do fado, que ali se reunia todas as tardes.
Com 14 anos tocou no “Café Ginásio”, no “Café Luso” (Av. Liberdade) e no “Café Mondego”. Foi neste último que viria a estrear-se como profissional (1936) acompanhado à viola por Alfredo Mendes. Manteve-se nesta casa até 1945, na fase em que passou a chamar-se “Retiro do Marialva”.
Em 1935 José Nunes integra a formação da Orquestra Aldrabófona, de música popular portuguesa. Colaborou no “Solar da Alegria”, sob a direcção artística de Júlio Proença, no período em que ali se realizaram as célebres noites de "Fado Antigo", formando um conjunto de guitarras e violas composto por Casimiro Ramos, Alfredo Mendes e Pais da Silva. Manteve-se ainda, durante 7 anos, no “Café Luso” (Travessa da Queimada).
Entretanto emprega-se nas Companhias Reunidas de Gás e Electricidade, onde veio a exercer o cargo de adjunto do chefe da rede geral de gás. Funcionário consciencioso, sempre conseguiu conciliar a actividade artística com os seus deveres profissionais, revelando nas suas atitudes uma verticalidade que levava a que alguns o considerassem um homem de feitio difícil. Apesar disso conseguiu reunir muitos amigos ao longo da vida.
Revelando uma extraordinária técnica, José Nunes actuou em directo nos primeiros programas radiofónicos de fado em 1935/36, na Rádio Graça e em 1936/37 na Rádio Luso e, durante 30 anos, manteve na Emissora Nacional um programa que viria a estimular a vocação de uma nova geração de futuros guitarristas.
José Nunes foi também o primeiro guitarrista a actuar na Radiotelevisão Portuguesa ainda no período experimental com início em 1956. A partir de então seguiram-se outras actuações nos programas «O fado do português» (1972) e «Fado vadio» (1979).
No cinema teve também uma intervenção acompanhando as vozes de Paquita Rico e de Carlos Ramos no filme «Lavadeiras de Portugal» (1956).
A par do seu talento, revelado acima de tudo no percurso das casas de fado e no acompanhamento de vozes, José Nunes participou em festas particulares e espectáculos públicos em Lisboa e todo o país, integrando designadamente os elencos artísticos dos programas para os «Soldados de Portugal» (1948/1951), dos «Serões para trabalhadores», em que colaborou durante 11 anos, e dos programas de fados da «Robbialac», em que com o violista Miguel Ramos acompanhou Maria Pereira.
Acompanhou vozes como: Beatriz da Conceição, Deolinda Rodrigues, Fernanda Peres, Júlia Barroso, Julieta Brigue, Maria Albertina, Maria de Fátima Bravo, Natalina Bizarro, Virgínia Soller, Alfredo Marceneiro, Américo Lima, Carlos do Carmo, Fernando Farinha, Carlos Zel, João Ferreira Rosa e Vicente da Câmara, entre muitos outros. Na década de 60 acompanhou Amália Rodrigues em inúmeros espectáculos em Portugal e no estrangeiro, "desistindo de o fazer devido à sua fobia de andar de avião".
Emparceirou com grandes violistas, como Alfredo Mendes (com quem se estreou), Castro Mota, Domingos Silva, Agostinho Dias, Francisco Perez Andion (Paquito), Humberto de Andrade, Joel Pina, José Inácio, José Maria Nóbrega, Júlio Gomes, Martinho D´Assunção, Pais da Silva, entre outros.
Gravou mais de meia centena de discos "todas elas com a marca da sensibilidade, da maviosidade, da pessoalíssima, requintada e primorosa execução que caracterizaram as suas interpretações", no dizer de Eduardo Sucena.
São composições originais suas: "Ana Cristina", "A Ti Manuel dos Santos" (fado com letra de Lavadinho Mourato, criação de Julieta Brigue), "Caixa de Música", "Caixinha de Música", "Chula de Sabrosa", "Divagações no Fado Mayer", "Fado Bolero", "Fado Micas", "Fado Pedro", "Fado Pereiró", "Fado Quina", "Valsa Fantasia", "Valsa Filipa", "Variações no Fado Ana Maria", "Variações no Fado João de Deus", "Variações no Fado Lopes", "Variações no Fado Paloma", "Variações Nostálgicas", "Variações Num Comboio", "Variações em Lá Menor" (1 e 2), "Variações em Lá Maior" e "Vira de Frielas".
Foi homenageado, pelos seus muitos amigos, em 3 de Maio de 1964, na Tertúlia da Festa Brava. No mesmo local foi sentidamente evocado a 19 de Maio de 1979, com o descerramento do seu retrato, "em reconhecimento pela forma generosa como durante anos dera colaboração aos convívios daquela casa"
Faleceu a 23 de Fevereiro de 1979, no Hospital de Santa Maria, vítima de um acidente vascular cerebral.
José Nunes é hoje considerado um dos mais criativos e influentes guitarristas, referência para outros instrumentistas como Fontes Rocha, António Chaínho, Carlos Gonçalves, José Luís Nobre Costa. António Parreira, José Pracana, António Luís Gomes, Alcino Frazão e Sebastião Gomes Pinto (Pinto Varela), alguns dos quais viriam depois a adoptar o seu próprio estilo.

Fonte: Museu do Fado - Última actualização: Maio de 2008.









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