domingo, 17 de setembro de 2017

BIOGRAFIAS FADISTAS




LUCÍLIA DO CARMO

Lucília do Carmo, de nome completo Lucília Nunes Ascenção do Carmo, nasceu em Portalegre a 4 de Novembro de 1919, filha de Francisco de Ascenção e de Georgina Nunes. Iniciou a sua carreira como cantadeira amadora em sociedades de recreio e festas de beneficência em Portalegre. Veio para Lisboa e, ainda como amadora, cantou na Verbena do Pessoal dos Caminhos de Ferro Portugueses, em Alcântara.
Estreou-se no dia 1 de Abril de 1937, no "Café Mondego", em Lisboa, otendo um êxito estrondoso. O seu cartão de profissional data de 29 de Março de 1937 e foi-lhe concedido quando contava apenas 17 anos de idade, graças ao empenho do escritor e poeta Vítor Machado, que nesse mesmo ano a integrou na sua obra “Ídolos do Fado”, e lhe escreveu o poema “Canção de Vencedores”.
Cantou no Solar da Alegria, nos cafés "Mondego" e "Luso" e na "Parreirinha de Alfama".
Participou em programas de fados na Emissora Nacional, na Rádio Graça e na Rádio Luso, sendo através da rádio que alcançou grande notoriedade.
Colaborou em festas de homenagem a vários colegas em Setúbal e em Lisboa, nunca se furtando a qualquer gesto de solidariedade.
Casada com o empresário Alfredo de Almeida, a fadista teve um único filho, em 1939, que viria a herdar os dotes artísticos da mãe, tornando-se no grande fadista Carlos do Carmo.
Nos anos 40 deslocou-se a Lourenço Marques, onde actuou no Casino da Costa, naquela cidade, dando conta o jornal “Canção do Sul” de 16 de Agosto de 1943 que: "De Lourenço Marques chegam as notícias do formidável sucesso alcançado pela popular cantadeira Lucília do Carmo".
Ainda nessa década, Lucília do Carmo fez uma grande digressão artística pelo Brasil. Mas a fadista realizou muito poucas tournées, especialmente após 1947, quando, com seu marido, abriu uma casa de fados em nome próprio, a Adega da Lucília, na Rua da Barroca, no Bairro Alto, que mais tarde veio a alterar o nome para Faia.
A partir desta data a fadista concentrou-se cada vez mais neste seu espaço, onde passou a actuar diariamente, e o qual tornou num dos mais importantes locais de actuação do circuito fadista, onde os clientes podiam sempre contar com interpretações de um estilo personalizado e um timbre característico que tornaram inconfundível o seu estilo de cantar.
Este exemplo, de abrir restaurantes típicos de fado por nomes que se consagraram no universo do Fado será posteriormente seguido por muitos dos seus colegas, como Hermínia Silva, que abre o Solar da Hermínia, Carlos Ramos com A Toca, Adelina Ramos com A Tipóia, ou Fernanda Maria com a casa Lisboa à Noite, apenas para salientarmos alguns dos locais de maior êxito.
De facto nas décadas de 1950 e 60 é neste circuito de casas de Fado que vamos encontrar os mais conceituados intérpretes deste género musical, seja como figuras cartaz da sua própria casa, como parte integrante dos seus elencos, ou mesmo como frequentadores habituais do espaço.
Com as sua interpretações características, Lucília do Carmo tornou populares muitos temas, dos quais destacamos: “Maria Madalena” e Travessa da Palha”, com poemas de Gabriel de Oliveira, musicados por Frederico de Brito; “Anda a Saudade Bem Alta”, também com poema de Gabriel de Oliveira e música de Alberto Costa; e “Loucura”, de autoria de Júlio de Sousa.
Lamentavelmente, Lucília do Carmo não deixou muitos discos gravados, mas os que deixou são referências muito importantes no universo do Fado. Existem em formato CD algumas das suas gravações e o seu nome é constantemente incluído em colectâneas desta forma musical. Com o seu filho, Carlos do Carmo, gravou dois LPs, “O Fado em duas gerações” e “An Evening at the Faia”, que foram também reeditados em CD.
Por sua própria iniciativa, retirou-se da vida artística com 60 anos, optando o seu filho Carlos do Carmo por deixar o espaço da Casa de Fados Faia, que ainda hoje se mantém em actividade, mas com outra gerência.
Lucília do Carmo faleceu aos 79 anos, vítima da doença de Alzheimer. O seu corpo foi velado na Casa do Fado e da Guitarra Portuguesa, saindo o seu funeral para o cemitério dos Prazeres, no dia 20 de Novembro de 1998.
Considerando a importância de perpetuar a memória desta grande fadista, a Câmara Municipal de Lisboa atribuiu o seu nome a uma rua da cidade, na freguesia de São Francisco Xavier.

Fonte: Museu do Fado - Última actualização: Abril/2008

AUTORES DO FADO










domingo, 10 de setembro de 2017

BIOGRAFIAS FADISTAS




LINHARES BARBOSA

João Linhares Barbosa nasceu a 15 de Julho de 1893 em Lisboa, no Bairro da Ajuda onde sempre viveu.
Figura incontornável do universo do Fado, a sua obra poética estima-se em mais de 3.000 versos A defesa do Fado que preconizou toda a vida - nomeadamente dos seus ambientes e seus protagonistas - a par de um imenso talento poético consagrá-lo-iam como o “Príncipe dos Poetas” vulto maior de entre os Poetas Populares do Fado.
Autodidacta, activo até 1965 - ano em que viria a falecer – João Linhares Barbosa viu os seus primeiros versos publicados no jornal “A Voz do Operário” quando contava apenas 14 anos de idade.
Mais tarde, exerceria a profissão de torneiro mecânico até à fundação do seu próprio jornal, “Guitarra de Portugal”, precisamente no dia em que completou 29 anos, no dia 15 de Julho de 1922. Este periódico viria rapidamente a assumir-se como um dos mais emblemáticos títulos de uma imprensa especializada no fado que vingou, a partir de 1910.
Nos primeiros tempos de vida da Guitarra de Portugal, João Linhares Barbosa contou com a colaboração dos amigos, também poetas populares, Domingos Serpa e Martinho d' Assunção (pai). Foi nas páginas da “Guitarra de Portugal” que, ao longo dos anos, João Linhares Barbosa defendeu o Fado, os poetas e os fadistas, dos ataques de um grupo de detractores do Fado que teve em Luiz Moita, célebre autor da obra “O Fado, Canção de Vencidos” um dos maiores expoentes.
Para além de uma vastíssima obra poética, a João Linhares Barbosa se fica a dever uma acção preponderante na reabilitação do Fado e na dignificação da carreira dos fadistas.

Fonte: Museu do Fado - Última Actualização: Setembro/2008


AUTORES DO FADO










segunda-feira, 4 de setembro de 2017

BIOGRAFIAS FADISTAS




LINA MARIA ALVES

Nascida em plena Alfama, Carolina sente o impulso de cantar, incentivada pelas colegas e amigas. Depois de abandonar os estudos comerciais, na Escola Patrício Prazeres, Lina Maria Alves estreia-se na "Urca" na Feira Popular de Lisboa, propriedade de Zé Miguel.
Foi o primeiro passo num percurso que a levou a outros espaços de Fado: "Meia-Noite", "Nova Sintra", a convite de Tristão da Silva cantou no "Patrício" e por fim integra o elenco da "Parreirinha de Alfama", local emblemático, de onde guarda as melhores recordações: "...não é por eu lá estar mas é realmente uma casa muito boa...". Esporadicamente Lina Maria era convidada a actuar no "Forcado", na "Taverna D´El Rei", na "Taverna do Embuçado" e "Nau Catrineta". A fadista recorda-nos o ambiente vivido nestes espaços e os nomes com que se cruzou: Berta Cardoso, Celeste Rodrigues, Beatriz da Conceição, Mariana Silva, e Tristão da Silva, são algumas das referências.
O seu vasto repertório está editado na forma de 8 discos de 45 rpm, 2 LP´s, 2 cassetes e um CD. Linhares Barbosa, Frederico de Brito, António José e Alberto Rodrigues são alguns dos principais poetas das letras que Lina Maria interpreta. Do seu repertório destacamos os temas: "Já te esqueci", "Cigano", "Se não me queres", entre outros sucessos.
Manteve-se sempre na sua cidade natal, onde diz estarem as melhores casas e melhores vozes: "O Fado para mim é uma coisa muito bonita, sinto-o quando alguém está a cantar (...) Argentina, Fernanda Maria, Maria da Fé, Tina, pessoas que cantam bem e saí de lá de dentro mesmo”, confessa-nos.
A sua voz "despede-se" para sempre, no dia 05 de Novembro de 2007, deixado mais pobre a esfera fadista, nomeadamente o elenco da "Parreirinha de Alfama".

Fonte: Museu do Fado - Última actualização: Novembro/2007

AUTORES DO FADO










sábado, 2 de setembro de 2017

BIOGRAFIAS FADISTAS





LENITA GENTIL

Lenita Gentil nasceu na Marinha Grande cidade onde viveu até aos seus 14 anos, altura em que se muda para o Porto, por motivos familiares. È neste período que o maestro Resende Dias, amigo do pai de Lenita, a ouve cantar, elogia a sua afinação vocal e incentiva-a a cantar. Inscreve-a nos Serões para Trabalhadores, transmitidos pelos Emissores do Norte Reunidos, e aos 17 anos dá-se a sua estreia no Palácio de Cristal.
Após esta estreia surgem os primeiros convites para a televisão, destacando-se a sua estreia televisiva no programa "Riso e Ritmo" (1964), de Francisco Nicholson e Armando Cortês, e "a partir daí foi um nunca mais parar, com programas de televisão, discos, festivais da canção, tanto cá como fora”, afirmou a cantora.
Lenita Gentil participa no Festival da Canção da Figueira da Foz (1967), e vence o Festival da Canção da Costa Verde, em Espinho (1968). Nesse mesmo ano recebe o Prémio de Música Ligeira, categoria Cançonetista, atribuído pela Casa da Imprensa. Participa também nos anos 1971 e 1989 no Festival da Canção da RTP.
Em 1966 e 1968 Lenita vence o Festival de Aranda del Duero (Espanha) e representa Portugal noutros festivais internacionais realizados no México, Polónia, Roménia, e nas Olimpíadas da Canção, realizadas na Grécia, onde recebe o prémio da crítica, experiências que Lenita considera como muito estimulantes para o seu percurso artístico. Paralelamente, teve duas significativas participações noutros domínios, uma no cinema, no filme "Os toiros de Mary Foster" (1972), realizado por Henrique Campos, e outra no teatro de revista "Em águas de bacalhau" (1977).
A versatilidade de Lenita é uma das características que marcam a sua carreira e que passa não só pelo Fado, como também pela música ligeira e marchas populares, "fui das primeiras cantoras de música ligeira a dedicar-me ao Fado, com o primeiro LP em vinil, gravado há mais de 28 anos, sendo a primeira cantora de música ligeira a cantar e a gravar Fado". Apaixonada pelo som fascinante da guitarra portuguesa, a par da admiração por Amália Rodrigues, Lenita Gentil rende-se ao Fado e a convite de Simone de Oliveira actua no restaurante gerido pela cantora, e onde Lenita partilha o elenco com nomes como Vasco Rafael e Artur Garcia. Pouco tempo depois, e apesar de não se identificar com o ambiente das casas típicas de Fado, aceita o convite para actuar durante um mês no elenco do "Fado Menor", propriedade de Tony de Matos.
Naturalmente, Lenita acabou por ficar mais tempo do que o previsto e graças a uma ascendente projecção, é convidada para actuar no restaurante típico "O Faia", onde ainda hoje se mantêm. Para a fadista esta passagem pelas casas de Fado são "uma experiência muito enriquecedora de Fado, aprendi muito, é uma grande escola, deu-me uma experiência de vida e artística...".
Lenita Gentil percorreu praticamente toda a Europa inclusivé alguns países do Leste. Viajou também à Austrália, Macau, Hong Kong, África do Sul, México, Estados Unidos da América e Canadá.
O seu enorme profissionalismo e entrega reflectem-se na selecção de repertório, onde se destacam os poemas de Artur Ribeiro, Maria de Lurdes de Carvalho, Vasco de Lima Couto e Frederico de Brito, entre outros. Manifestando o seu apreço, Lenita é também uma das poucas vozes femininas na interpretação do Fado de Coimbra que considera: "muito rico, com melodia, nostálgico, uma coisa que entra e que se sente, acho o Fado de Coimbra muito bonito".
Em 2005 a editora Ovação lança o CD "Outro lado do Fado", laureado com o Prémio Amália Rodrigues para Melhor Álbum de Fado e que inclui temas inéditos e outros criados por Amália Rodrigues.
Para além dos inúmeros espectáculos e digressões, com particular incidência nas comunidades de emigrantes, podemos encontrar Lenita Gentil no restaurante "O Faia", onde continua a encantar todos os que lá se dirigem para ouvir e apreciar Fado.

Fonte: Museu do Fado - Última actualização: Novembro/2007