sábado, 14 de janeiro de 2017

BIOGRAFIAS FADISTAS





ADELINA RAMOS

Filha de Joaquim Ramos e de Hermínia Ramos, Adelina Ramos nasce em Lisboa (Monte Pedral), no bairro da Graça, a 14 de Junho de 1916.
Em 1929, com apenas 14 anos, canta pela primeira vez no Grémio Instrutivo Familiar Os Trovadores, que então existia na Calçadinha do Monte. Nesta sociedade recreativa do bairro da Graça, era frequente a passagem de algumas das figuras mais emblemáticas do Fado lisboeta como Ercília Costa, Berta Cardoso ou Alfredo Marceneiro.
Adelina Ramos faz assim a sua entrada na vida artística, mantendo-se como amadora durante cerca de quatro anos (1929-1933), espaço de tempo em que é muito solicitada para actuar em clubes recreativos e festas de beneficência. Aos 17 anos, em Março de 1933, com o intuito de auxiliar nas despesas da casa e por a sua mãe se encontrar doente, Adelina Ramos tira a carteira profissional.
Decorridos apenas 6 meses da sua profissionalização já o jornal Trovas de Portugal lhe dedica a primeira página da publicação (Trovas de Portugal, 20 de Setembro de 1933), apresentando uma entrevista com a fadista.
Como profissional, Adelina Ramos percorre Portugal de lés-a-lés e integra o elenco de algumas das principais Casas de Fado da época, como o Retiro da Severa, o Solar da Alegria ou o Luso. Beatriz Costa, na sua primeira ida ao Brasil quer levá-la consigo, mas a mãe não aceita que a filha viaje sem a sua companhia e a viagem fica adiada. Mais tarde recusará, também, uma digressão à América do Norte, limitando a sua carreira às actuações em Portugal e, em particular, à Casa de Fados que abrirá no Bairro Alto.
No final da década de 1930 faz uma digressão pelo Norte do país em conjunto com outros intérpretes do Retiro da Severa: Manuel Monteiro, Alberto Costa, Maria do Carmo Torres e Maria Emília Ferreira. A actuação no Teatro Sá da Bandeira no Porto tem especial destaque pelo grande impacto que tem junto do público.
No emblemático Royal Cine do bairro que a viu nascer realizam-se duas festas artísticas em sua homenagem, a primeira a 21 de Abril de 1939 e a segunda a 13 de Dezembro de 1940, a última uma homenagem partilhada com a fadista Maria Emília Ferreira.
Alguns anos mais tarde casa com José Maria Baptista Coelho, de quem adopta os dois sobrenomes. Em 1950 ambos fundam e gerem a Tipóia, restaurante típico situado na Rua do Norte no Bairro Alto. Nos 22 anos da sua existência, Adelina Ramos dirige artisticamente o espaço, com intenção de proporcionar um melhor serviço ao público de Fado, dando ao género um local apropriado. Por ali passa toda a elite do Fado, de onde se destacam os nomes de Manuel de Almeida, Carlos Ramos, Celeste Rodrigues, Deolinda Rodrigues ou Fernanda Baptista, todos permanecendo por longos anos no elenco da casa.
O "Fado do Cauteleiro" é o seu primeiro grande sucesso. Adelina Ramos aprecia sobretudo o Fado Antigo, em detrimento do Fado canção, como revela em entrevista ao jornal Canção do Sul de Maio de 1940. Na década de 1940 faz alguns duetos com Fernando Farinha nas actuações no Luso. Os temas “O meu casamento” e a resposta “Começa o ciúme”, de autoria de Carlos Conde, são de tal forma populares que constam dos anúncios publicados na imprensa para publicitação do restaurante típico.
A fadista foi a criadora do tema “Não passes com ela à minha rua”, mais tarde celebrizado na voz de Fernanda Maria, bem como das faixas "Ouvi cantar o Ginguinhas" de Linhares Barbosa e "Achei-te tanta diferença" de João de Freitas.
Após o 25 de Abril, a Tipóia sofre os efeitos da redução do número de frequentadores, resultante da conotação do Fado com o regime salazarista e consequente afastamento do público deste género musical. As dificuldades do espaço intensificam-se pela doença irremediável do seu marido, José Coelho, que entretanto falece.
Adelina Ramos retira-se da vida artística em 1975 mas na história do Fado deixa a contribuição de um espaço que durante décadas foi referência obrigatória, bem como algumas interpretações que lhe valeram as considerações de “voz vibrante e autêntica fadista de raça” ou “a verdadeira fadista de raça” que encontramos nos cartazes dos seus espectáculos.
Em 1999 foi homenageada pelo Museu do Fado, no ciclo “Eu lembro-me de ti…”.
Adelina Ramos faleceu na Casa do Artista a 26 de Julho de 2008.

Fonte: Museu do Fado - Última actualização: Janeiro/2009

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